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Coronavírus pode provocar alterações na retina

Já sabemos que o novo coronavírus (SARS-CoV-2) atinge os olhos.

Primeiro, o relato de um médico chinês testado positivo levantou a possibilidade de o vírus ser contraído pelos olhos, além de mucosas da boca e nariz.

Ao mesmo tempo, alguns pacientes manifestaram conjuntivite como um dos sintomas. Hoje, a Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que 1% dos infectados apresenta esse quadro.

Em seguida, diversos estudos identificaram o novo agente também nas lágrimas de contaminados.

Desse modo, os olhos também são uma possível fonte de contágio, e não apenas uma das formas de contrair a doença.

Agora, uma pesquisa da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) aponta que o coronavírus pode causar alterações na retina. Abaixo, entenda como foi realizado o trabalho, os resultados e quais serão os próximos passos.


Coronavírus e retina: o estudo

O Departamento de Oftalmologia e Ciências Visuais da Escola Paulista de Medicina (EPM/Unifesp) – Campus São Paulo, em conjunto com o Instituto da Visão, identificou que o novo coronavírus (SARS-Cov-2) pode causar lesões anatômicas na retina.

O estudo foi publicado recentemente no periódico inglês The Lancet.

Até então, a única alteração oftalmológica provocada pelo vírus era conjuntivite.

A conclusão ocorreu após os cientistas analisarem 12 profissionais da saúde, de 25 a 69 anos, testados positivos para a Covid-19. A avaliação aconteceu entre o 11º e 35º de infecção.

Todos eles apresentaram febre, astenia e dispneia.

Por outro lado, 11 também tiveram perda de olfato. Do total, dois foram internados no hospital, mas nenhum necessitou de cuidados intensivos.

Os resultados

Os pacientes não apresentaram nenhuma queixa em relação à visão.

Além disso, não havia sinais e sintomas de inflamação intraocular.

Mesmo assim, os exames de tomografia de coerência óptica (OCT) mostraram que havia modificações na retina.

Todos os pacientes apresentaram lesões hiper-reflexivas no nível das células ganglionares e das camadas plexiformes internas, com maior destaque no feixe papilomacular em ambos os olhos.

De acordo com um dos autores do estudo, o oftalmologista e professor Rubens Belfort Júnior, os danos “podem estar associados a manifestações microvasculares ou de sistema nervoso central, correlacionando o novo coronavírus às alterações e sequelas no sistema nervoso.”

Vale ressaltar a importância dessa descoberta, pois há relatos de pacientes que desenvolvem modificações cerebrais.

Ademais, quatro pacientes apresentaram micro-hemorragias ao longo das arcadas retiniana.


Próximos passos

Com os resultados iniciais, a pesquisa continuará com o acompanhamento dos pacientes atuais e de novos testes. Além dos 12 já avaliados, os cientistas também estão observando mais 13 infectados.

Conclusão

A descoberta da chance do novo coronavírus (SARS-CoV-2) também causar lesões na retina é importante para entendermos como o novo agente atinge a saúde dos humanos.

Ainda mais se realmente demonstrar um possível dano ou sequela no sistema nervoso. Desse modo, os indícios na retina podem ser uma forma mais fácil e ágil de encontrar o problema no cérebro.

Porém, os estudos ainda estão na fase inicial. Mesmo assim, é importante para que outros pesquisadores conheçam a possibilidade e prestem atenção nessas lesões.


Fonte: Phelcom - Com dados do Departamento de Oftalmologia e Ciências Visuais da Escola Paulista de Medicina (EPM/Unifesp) – Campus São Paulo - Organização Mundial da Saúde (OMS) e The Lancet: Retinal findings in patients with COVID-19.

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