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Isolamento social tem afetado a visão de crianças e adultos

A visão desempenha um papel de suma importância no relacionamento do indivíduo com o mundo externo. O período da pandemia e isolamento social pelo Coronavírus tem trazido diversas consequências a visão.



Além do potencial agravo à saúde ocular por retardo no diagnóstico e tratamento dos casos críticos que requerem cuidados imediatos, outros prejuízos a visão têm ocorrido em crianças, adolescentes e adultos que são reféns do mundo virtual e das telas de aparelhos eletrônicos. 

Já se sabe que o excesso tecnológico, aumenta ainda mais a necessidade de uso de óculos para correção dos erros ou vícios de refração, incluindo miopia, hipermetropia ou astigmatismo e vista cansada (presbiopia). 

Em 2010, o número de pessoas com problemas visuais que necessitavam usar óculos era de 2 bilhões de pessoas (28,%), em todo o mundo. Segundo uma pesquisa publicada no Ophthalmology Journal, até 2050 cerca de 4,8 bilhões de pessoas (49,8%), da população mundial, terão algum tipo de deficiência visual que vai obrigá-las a usar óculos. Nos Estados Unidos, 168,5 milhões de pessoas usam óculos ou lentes de contato. No nosso país, 25% da população usa óculos para corrigir erros refrativos, e 1% (2,5 milhões) de brasileiros, usa lentes de contato.

Sendo a visão o sentido mais integrador das diferentes modalidades sensoriais e responsável por auxiliar na  compreensão  das  várias informações que recebemos dos sentidos, sua alteração pode afetar todos os aspectos de adaptação do individuo  ao  seu  meio  ambiente. Sabe-se que 80% do conhecimento humano se dá através da visão, e qualquer fator que cause deficiência visual impacta atividades de vida diária, sociabilidade e o desenvolvimento humano. 

Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) revelam que existem no mundo 75 milhões de pessoas cegas e mais de 225 milhões de pessoas com baixa visão, incapazes de desempenhar grande número de tarefas cotidianas, devido à deficiência visual. Já no Brasil, segundo dados do IBGE-senso 2010, existe mais de 6,5 milhões de pessoas com deficiências visuais. 

Exemplos de doenças oculares que causam significante impacto na qualidade de vida do paciente quando não tratadas em tempo hábil incluem as inflamações ou infecções oculares, a catarata pediátrica e do adulto, o glaucoma congênito e do adulto, os erros refrativos significantes (hipermetropia, miopia, astigmatismo e a presbiopia), os tumores oculares, o descolamento de retina, a degeneração macular senil, a retinopatia diabética e hipertensiva. O diagnóstico e tratamento precoce de qualquer doença ocular possibilita  uma melhor resposta visual e impacta o individuo, a família e a sociedade. PREJUÍZOS A VISÃO E METABOLISMO DEVIDO AO USO EXCESSIVO DE ELETRÔNICOS

O estresse visual causado pelo uso constante e excessivo de produtos eletrônicos, como recursos pedagógicos, laboral, fontes de lazer, de conectividade e social, tem afetado o funcionamento do metabolismo e sistema visual humano. Nas crianças os distúrbios visuais surgem precocemente, já nos adultos perturba a realização de atividades da vida cotidiana, ambos requerem tratamento clínicos e em alguns casos até mesmo necessitam de intervenções cirúrgicas.

Os principais sintomas incluem ardor ou dor ocular, visão turva, tensão ocular, vermelhidão, lacrimejamento, sensibilidade à luz, tremores ou contrações involuntárias das pálpebras e dores de cabeça. Além disso, o intenso uso de tecnologias, celulares e computadores por período prolongado nos deixa em estado de alerta e uma das consequências mais comuns é a redução da quantidade de piscadas, daí porque as pessoas podem apresentar ressecamento, fadiga, vermelhidão, coceira e ardência ocular.

O conjunto desses problemas visuais e oculares relacionados com atividades que utilizam aparelhos digitais que emitem uma luz azul, prejudicial para a visão humana, assim como demandam prolongado uso da visão de perto, é conhecida como a Síndrome Visual do Computador (SVC). 

Os pacientes podem apresentar inflamação dolorosa da conjuntiva e córnea, lesões na retina incluindo a degeneração macular relacionada com a idade (DMRI), e até mesmo pode haver evolução de catarata pré-existente. Outra consequência do uso de aparelhos eletrônicos próximos aos olhos com esforço excessivo de acomodação ocular, é o surgimento ou aumento da miopia (dificuldade de enxergar de longe). 

As crianças e adolescentes que passam muitas horas em ambientes internos e com uso excessivo de eletrônicos, diariamente, apresentam maior facilidade de desenvolver miopia ou piorar graus de miopia já existente. De acordo com a Sociedade Brasileira de Oftalmologia, (SOB) houve um aumento de 39% de diagnósticos de miopia em crianças. Considerada a epidemia do século pela Organização Mundial da Saúde (OMS), a miopia é a campeã. A Academia Americana de Pediatria (AAP) orienta que o contato com qualquer tipo de tela não é recomendável a crianças menores de 18 meses. Já a Sociedade Brasileira de Oftalmologia Pediátrica (SBOP) preconiza que o uso de eletrônicos entre crianças não ultrapasse 30 minutos diários e não aconteça antes dos dois anos de idade.  Outro efeito colateral na visão provocado pelo uso excessivo de eletrônicos, como tablets e celulares, é o estrabismo (desvio nos olhos), mais comumente do tipo convergente. Este achado tem surgido de forma mais frequente em pacientes jovens e míopes. O excesso de acomodação facilita o desequilíbrio da musculatura extraocular, podendo haver visão dupla (diplopia) e estrabismo adquirido. 

Além dos achados visuais o uso constante de telas libera uma substância chamada dopamina, que pode gerar dependência, com ansiedade, irritabilidade e desejo de aumentar o tempo de uso, com dificuldade de ter limites. Além disso, pessoas muito apegadas a eletrônicos são mais distanciadas socialmente. Outros efeitos possíveis são alterações no ritmo diário e do sono. Quanto maior o tempo de uso de dispositivos digitais mais pode haver fadiga e tensão muscular. As posturas inadequadas podem afetar o esquema corporal e o sistema proprioceptivo (percepção do corpo no espaço e da relação dos segmentos do corpo entre eles).


 

Os cuidados recomendados para minimizar os danos ao organismo incluem a cada hora os olhos devem descansar dez minutos ou a cada 20 minutos deve-se fazer uma pausa de 20 segundos e focalizar o olhar em um objeto localizado a 20 pés de distância (em torno de 6 metros). Pode-se também descansar a visão cobrindo com as mãos os olhos já fechados. Outras dicas para melhorar a saúde visual e o bem estar dos pacientes incluem:


• Controle do tempo de uso de tecnologias rigoroso.  • Tentar piscar rotineiramente, 15 a 20 vezes por minuto. • Diminuir a luminosidade da tela do dispositivo. • Alinhar a postura diante de telas digitais, que devem manter uma distancia mínima de 30 cm da face e estarem abaixo do nível dos olhos.  • Utilizar rotineiramente a luz natural. • Realizar atividades em ambientes externos diariamente, por 40 minutos, no mínimo. •  Evitar ar condicionado ou ventilador muito próximos dos olhos para evitar o ressecamento ocular.  • Levantar-se periodicamente, andar, hidratar-se.  • Dormir longe do celular, no mínimo 1 metro. 

Consulte seu oftalmologista regularmente para o diagnóstico precoce e tratamento de possíveis doenças oculares. Pode haver necessidade de uso de colírios lubrificantes  ou aumento da frequência do uso pré-existente. Pacientes com erros refrativos significantes devem usar a correção (óculos e/ou lentes de contato). Pacientes com estrabismo requerem tratamento especializado (clinico, medicamentoso ou cirúrgico), dependendo do quadro. 


Fonte: Hospital de Olhos de Pernanbuco - Dra Liana Ventura

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