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Ministérios da Saúde e Educação auxiliam professores na identificação de agravos à saúde ocular

A escola tem o papel fundamental na identificação de possíveis agravos à saúde ocular e na realização de ações de promoção à saúde.

É um ambiente propício para reflexão da vida, da produção de autocuidado, de convivência, de cidadania e de saúde, visto que nela se dá boa parte das interações sociais e é o lugar institucionalizado de aprendizagem.

No que tange à saúde ocular do indivíduo, pode-se afirmar que as causas de perda da capacidade visual são múltiplas.

Em geral, essas causas relacionam-se a fatores biológicos, sociais e ambientais, por vezes passíveis de serem evitados ou minimizados.

Segundo a Organização Mundial da Saúde mais de 80% dos problemas visuais são evitáveis.

Com a finalidade de permitir aos educandos vivenciarem com qualidade os processos de desenvolvimento dos mesmos, o PSE visa colaborar na identificação de possíveis problemas relacionados à saúde, inclusive a ocular, na promoção à saúde e no desenvolvimento de processos de autocuidado.

Dessa forma, o PSE preconiza ações de saúde ocular tanto a identificação de sinais e sintomas que podem indicar problemas, quanto na articulação das redes de saúde e de educação para a integralidade do cuidado.

Deve-se atentar também para os educandos com deficiência visual. Tanto o apoio pedagógico adequado, quanto à acessibilidade evitam a evasão escolar e garantem a permanência dos mesmos na escola.

Além disso, é necessário que haja um projeto terapêutico singular, que se traduz no cuidado, na escuta e na ação educativa de forma articulada entre as equipes das Unidades Básicas de Saúde (UBS), as famílias dos educandos e as equipes das escolas.

É importante que se desenvolva ações educativas, considerando o uso correto dos equipamentos eletrônicos.

A exposição demasiada aos equipamentos eletrônicos como videogame, computadores e TV pode causar sintomas desagradáveis, entre eles, dores de cabeça constantes, sensação de ressecamento nos olhos, ardores oculares, irritabilidade, lacrimejamentos. Além desses sintomas a exposição excessiva à equipamentos eletrônicos pode predispor a alterações visuais crônicas.





A identificação precoce de possíveis alterações da visão é otimizada com apoio das equipes de atenção básica e de educadores no cotidiano da escola, sendo vital para promover a saúde ocular, tanto para evitar o comprometimento visual permanente (já que algumas doenças oculares só têm tratamento na infância) como para evitar atraso no aprendizado e no desenvolvimento do educando.


Alguns sinais de possíveis problemas visuais são de fácil detecção, por isso é importante que a equipe escolar fique alerta para esses sinais e sintomas:

Queixas frequentes de dor de cabeça;

Queixa de sensibilidade excessiva à luz;

Lacrimejamento e/ou olhos vermelhos frequentemente;

Queixa de dor e/ou coceira ocular;

Olhos inchados com ou sem secreções;

Olho torto (estrabismo);

Visão dupla e/ou percepção de visão diferente de um olho para outro;

Mancha branca na pupila (parte central escura do olho);

Dificuldades para acompanhar objetos próximos;

Esbarra ou cai com frequência; e

Baixo desempenho escolar.


Essa identificação deve fazer parte da rotina diária da escola nas atividades educativas, por todos os profissionais que participam do Programa Saúde na Escola.

A estratégia de promoção e prevenção para aperfeiçoar esse rastreamento de condições que prejudicam a saúde ocular dos escolares, do Programa Saúde na Escola, é a Avaliação da Acuidade Visual (AV) ou Triagem Ocular, que consiste na mensuração do grau de aptidão do olho para identificar detalhes espaciais.

O instrumento apropriado para essa avaliação é a Escala de Sinais de Snellen, popularmente conhecida como Tabela de Snellen. Faz-se necessário a capacitação prévia dos avaliadores, os quais podem ser professores, alfabetizadores, profissionais de saúde das diversas áreas, e voluntários.

Essas capacitações podem ser apoiadas e fortalecidas pelas publicações do Ministério da Saúde e a participação de especialistas no assunto em encontros presenciais ou a distância.

Essa avaliação deve ser realizada em ambiente calmo, bem iluminado e sem ofuscamento, para que seja possível a visualização dos optotipos (símbolos presentes na Tabela de Snellen), com o educando a frente da Tabela.

É importante que a avaliação seja realizada alternando a oclusão dos olhos, com um oclusor (um instrumento utilizado para cobrir um dos olhos), sempre iniciando a avaliação do olho direito.

A acuidade visual registrada será o número decimal ao lado esquerdo da última linha em que a pessoa consiga enxergar mais da metade dos optótipos.

Os educandos que não atingirem AV 0,7, devem ser orientados e encaminhados para um profissional especialista, principalmente aqueles que apresentarem algum dos sinais e sintomas citados.

Para realizar as orientações necessárias, as equipes de atenção básica devem estabelecer uma escuta dos educadores, educandos, de seus familiares e/ou responsáveis, com o objetivo de, conjuntamente, decidirem e apontarem o melhor caminho para solucionar o problema identificado, bem como para o desenvolvimento de ações compartilhadas de promoção à saúde.

Além disso, é importante que se fortaleça a coordenação do cuidado aos educandos que apresentaram algum problema relacionado a visão, estabelecendo fluxos e referências para o encaminhamento correto e efetivo.



REFERÊNCIAS:


Brasil. Ministério da Saúde. Diretrizes de Atenção à Saúde Ocular na infância: detecção e intervenção precoce para prevenção de deficiências visuais. Brasília. Ministério da Saúde, 2013.


Brasil. Ministério da Saúde. Cadernos temáticos do PSE – Saúde Ocular. Ministério da Saúde, Secretaria de Atenção à Saúde, Departamento de Atenção Básica.


Ministério da Educação, Secretaria de Educação Básica – Brasília: Ministério da Saúde, 2016. Portaria GM/MS nº 957 de 15 de maio de 2008 - Institui a Política Nacional de Atenção em Oftalmologia, a ser implantada em todas as unidades federadas, respeitadas as competências das três esferas de gestão. Portaria SAS/MS nº 288, de 19 de maio de 2008 - Define as Redes Estaduais e Regionais de Atenção em Oftalmologia.


World Health Organization. Strategies for the Prevention of Blindness in National Programmes: A primary health care approach. 2° ed. WHO, 1997.


II Relato de experiências em tecnologias educacionais do Sistema UMA-SUS 2015/Organização de Cristine Martins Gomes de Gusmão et al. Recife: Ed. Universitária da UFPE. 2015.

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