Você sabe como a pressão alta afeta sua visão?

Oclusões vasculares retineanas, retinopatia hipertensiva, aparecimento de vasos sangüíneos anormais na retina e o desenvolvimento do glaucoma são complicações comumente diagnosticadas em pacientes que apresentam hipertensão arterial. Considera-se que a pessoa é hipertensa, se medindo a pressão arterial em repouso, obtém-se valores acima de 14 por 9. Esses são os números de corte. Acima deles, a pressão é considerada elevada; abaixo, é normal. Esse valor independe da idade, tanto faz se a pessoa tem 20 ou 60 anos. A Sociedade Brasileira de Hipertensão recomenda que a pressão arterial deve ser medida regularmente, no mínimo, uma vez por ano, inclusive por aqueles que não têm ou desconhecem ter a doença. A recomendação se aplica também às crianças, a partir dos três anos de idade. Já para os hipertensos, a verificação da pressão deve ser constante para o controle adequado da doença.

Como a pressão alta afeta a visão


A retinopatia hipertensiva é um distúrbio de visão que ocorre quando a pressão arterial torna-se extremamente elevada, como nos casos de hipertensão grave, hipertensão maligna e toxemia gravídica. As repercussões da hipertensão arterial se fazem sentir, principalmente, no leito vascular de órgãos alvo, dentre estes, os olhos. O diagnóstico precoce dos sinais e lesões referentes à retinopatia hipertensiva permite avaliar a gravidade da hipertensão arterial, e, principalmente, realizar um acompanhamento evolutivo das lesões orgânicas hipertensivas como hemorragias na retina, microaneurismas, exudatos extravasamento de gordura espasmos arteriolares e estase de papila. Os exames oftalmoscópicos das alterações vasculares fundoscopia e oftalmoscopia direta e indireta permitem que as alterações causadas pela hipertensão sejam diagnosticadas precocemente. A fundoscopia também permite avaliar os danos em outros órgãos alvo, além de fornecer informações sobre a severidade da doença. Outra complicação decorrente da hipertensão é a obstrução da circulação sangüínea retineana. A veia central retineana é o principal vaso sangüíneo que transporta o sangue a partir da retina. A sua obstrução faz com que as veias menores da retina fiquem congestionadas e tornem-se tortuosas. Assim, a superfície da retina torna-se congesta e edemaciada e pode ocorrer um escape de sangue no olho. A obstrução da circulação sangüínea retineana ocorre, principalmente, em indivíduos idosos com histórico de glaucoma, diabetes, hipertensão arterial ou doenças que provocam alterações na coagulação do sangue. A obstrução da veia retineana provoca perda de visão indolor e evolui muito mais lentamente do que os casos de obstrução da artéria retineana. As alterações permanentes da visão por causa da hipertensão incluem, ainda, o crescimento de novos vasos sangüíneos anormais na retina e o desenvolvimento do glaucoma. A angiografia com fluoresceína é outro exame que auxilia o oftalmologista a determinar a extensão da lesão e o melhor plano terapêutico para cada paciente. Em muitos casos, o tratamento com laser pode ser utilizado para destruir os vasos sangüíneos anormais.


Na consulta oftalmológica do paciente hipertenso, outra queixa comum é o aparecimento de moscas volantes, que podem ser descritas como pontos pretos, manchas escurecidas ou fios que se assemelham às teias de aranha, observados principalmente quando o paciente olha para uma parede branca ou para o céu claro.


Sociedade Brasileira em Clínica Médica